O início, o meio e muitos fins | The beggining, the middle and the many ends

Por Batman Zavareze |

Escrever sobre uma experiência viva que aponta para o risco é um convite para um mergulho às cegas em águas profundas. É aqui que quero estar, no improvável, e a partir deste ponto quero colaborar com devaneios sem mensurar aonde vamos, onde estaremos e o que iremos fazer.

Vamos incorporar a sina dos garimpeiros, que se autodefinem como alguém que vive de buscar algo que nunca perdeu.

Uma residência multidisciplinar internacional desta dimensão sempre deixa um legado imaterial em quem cria e em quem produz, une e fortalece nossas mentes junto ao maior projeto final possível, a experiência.

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Diante de um dia a dia cada vez mais digital e tecnologizado, majoritariamente contaminado pela visão e pela audição, a ideia é somar saberes, compartilhar e apontar para muitas direções até a faísca vingar. Para isso, nada melhor que viver um processo imersivo multissensorial, onde o paladar, o olfato e o tato também devem entrar neste jogo.

Os desafios de conviver e debater nossos espaços, nossos mundos, nossos horizontes, nossas técnicas, nossas conquistas, nossas ansiedades, nossas limitações, nossos medos, nossos absurdos, nossas alegrias, nossas frustrações, nossas grandezas e nossas artes já serão anseios suficientes para não caber em nós, artistas e curadores.

Transformar o que vamos viver em criações concretas será puro delírio e divertimento. Hoje, diante de um momento político tão nebuloso, a seta é trabalhar na primeira pessoa do plural para abrir novos caminhos. Precisamos ser generosos, escutar e rever o Brasil com o olhar do outro, um exercício indisciplinado. Já que estamos embaralhados, que a HOBRA seja transloucada entre nós, uma completa antropofagia.

No ano passado, o Festival Multiplicidade, que dirijo há 12 anos, só foi possível ser realizado porque nos agarramos na ANTEVISÃO para criarmos nossas memórias futuras. Ao invés de realizar o ano de 2015, nos teletransportamos numa imaginária 2025, 10 anos à frente. Ainda estamos por lá. Por sinal, uma ação artística e política libertadora que se agarra no conceito da poesia de Manoel de Barros quando diz “é preciso transver o mundo”. É um remix entre transformar e ver o que está rolando no mundo real.

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A experiência de viver tudo isso é o maior dos acontecimentos.

. . .

By Batman Zavareze |

To write about a live experience that points to a risk is an invitation for a blind­eyed dive into deep waters. It is here that I want to be – in the improbable – and fromthis point on I want to collaborate with free ideas without measuring where we are heading, where we are and what we will do.

Let’s incorporate the destiny of the gold miners, which are people who self­define themselves as those who live out of searching for something that has never been lost.

An international multidisciplinary artistic residency with such dimensions always leave an immaterial legacy in those who create and in those who produce – it unites and strengthens our minds together with that which is the greatest final project possible: the experience.

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Faced with a daily life increasingly more digital and full of technology, in a major way contaminated by the vision and hearing, the idea is to add up knowledge, to share and to point to the many directions possible, up until the spark lights up. For this, nothing better than to liven up an immersive multisensorial process, where the palate, the sense of smell and the touch also must enter the game.

The challenge is to live together and to debate our spaces, our worlds, our horizons, our techniques, our conquers, our anxieties, our limitations, our fears, our absurds, our happiness, our frustrations, our greatness and our arts, all of which will be enough longings not to fit in us, artists and curators.

Transform what we will live into concrete creations will be pure delirium and fun. Nowadays, facing such a nebulous political moment, the arrow aims at working in the “first person of plural” so as to open up new ways. We need to be generous, listen and review Brazil with other people’s perspectives, which is an undisciplined exercise. Since we are jumbled, let HOBRA be the deranged one among us, a full anthropophagy.

Last year, Festival Multiplicidade, which I have been directing for 12 years, it was only made possible because we held ourselves in the PRE­VIEWING, so as to create our future memories. Instead of being in the year 2015, we teleported ourselves into an imaginary 2025, ten years ahead. And we are still there. By the way, an artistic action and liberating politics that grabs the concept from Manoel de Barros’ poetry, when he says “it is necessary to trans-see the world”. This is a remix between to transform and to see what is going on in the real world.

TRANSVER

The experience of living all of this is the greatest of happenings.


Batman Zavareze é criador e curador do Festival Multiplicidade e curador de área de novas mídias da HOBRA | Batman Zavareze is the creator and curator of Festival Multiplicidade, also curator in the area of new media for HOBRA

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