Sessenta e quatro mãos para transformar | Sixty-four hands to transform

Por Paula Camargo |

Temos duas mãos. Com essas mãos, podemos mudar o mundo.

E se tivermos sessenta e quatro?

É assim que, para mim, começa HOBRA. Com dez profissionais de cada lado, mais dez curadores, uma artista convidada e um provocador, trabalhamos a sessenta e quatro mãos.

Vivemos um momento complexo, um momento de rupturas. Intolerâncias sociais, políticas e religiosas são vistas nos diversos cantos do planeta, alavancando preconceitos e violências.

E o que HOBRA tem a ver com isso? O que design tem a ver com isso?

Eu diria: tudo a ver.

Nessa atmosfera de fragilidade, unir esforços entre países para agregar profissionais criativos de dez áreas de conhecimento é uma demonstração de que podemos, sim, nos fortalecer em nossas diferenças.

O preceito é desafiador. Unir pessoas que não se conhecem, nunca se viram ou se falaram, para que, juntas, desenvolvam um trabalho com a cidade do Rio como plataforma.

Pensar essa cidade através de um olhar para o público, para o lugar do outro, dentro de uma perspectiva de design, e em interface com tantos outros pensamentos, configura uma oportunidade única. Há de ser um projeto pautado na generosidade. Ao trabalhar com o outro, devemos abrir mão do eu para trabalhar o nós. Para trabalhar junto. E isso não é fácil.

Colaborar, unir esforços, projetar e criar juntos. Sem saber o resultado. Não tem briefing? Não, não tem briefing. Se vira aí para construir o futuro através de um presente de auto-conhecimento e de conhecimento do outro. Trabalhar igualitariamente, horizontalmente, em parceria, em direção a um resultado ainda desconhecido. Entendendo que, para o outro – que também é sempre o seu próprio eu – a grama do vizinho é eternamente mais verdinha. E que, entre organização e caos, canais e mares, semelhanças e diferenças, nossas gramas mútuas podem verdejar muito mais através do esforço contínuo de nos doarmos para podermos receber.

Esse é o exercício. O projeto será construído junto desde sua premissa. Desde a decisão do que deve ser projetado. Exercitar esse modo de aceitação e busca de caminhos comuns é a resposta mais precisa para avançarmos nesse mundo de certezas.

Nada está dado.

Mas as pedras estão lançadas.

Mãos à obra!

. . .

By Paula Camargo |

We have two hands. With these hands we can change the world.

And what if we had sixty­-four?

This is the way that HOBRA starts for me.

With ten professionals from each side, plus ten curators, one invited artist and one provocateur we work with sixty-four hands.

We are living a complex moment, a moment of ruptures. Social, political and religious intolerance are seen in various corners of the planet, gearing up prejudices and violence.

And what does HOBRA have to do with this? What does design have to do with this?

I would say: everything.

In this atmosphere of frailty, to unite strengths between countries, aggregating creative professionals from ten fields of knowledge is an evidence that we can, indeed, empower ourselves through our differences.

This precept is challenging. To unite persons who do not know each other, who have never seen or talked to each other so that, together, they develop a piece of work with Rio de Janeiro as a platform.

To think this city through a look onto the public, to the other’s place, from inside a design perspective and an interface with so many other thoughts, configures a unique opportunity. It must be a project which is led by generosity. By working with someone else, we should give up the “I” to work with the “us”. To work together. And that is not easy.

To collaborate, to unite efforts, to project and create together. Without knowing the results. No briefing? No, there is no briefing. Find your way to build a future through a present of self-awareness and the getting to know the other. To work in an equalitarian way, horizontally, in partnership, towards a still unknown result. Understanding that, for the other – who is also always your own self – the neighbor’s grass is eternally greener. And that, between organization and chaos, channels and seas, similarities and differences, our mutual gardens can get greener through the continuous effort of donating to be able to receive.

This is the exercise. The project will be built together from its premise. Since the decision over what is to be projected. To exercise this way of acceptance and search for common ways is the most precise answer for us to advance in this world of certainties.

Nothing is settled.

But the rocks are rolling.

Time to work!


Paula Camargo é curadora de design da HOBRA | Paula Camargo is curator of design for HOBRA

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