Nós, artistas, somos uma espécie em extinção | We, artists, are dying breed

Por Jörgen Tjon A Fong |

O ano de 2016 fica marcado como aquele em que um livro escrito por um computador, através de inteligência artificial, foi aceito para concorrer a um prêmio literário. Também é um ano em que um computador, em Amsterdã, criou um novo trabalho no estilo de Rembrandt, depois de analisar todas as pinturas feitas por ele. Quando eu fixei o olhar naquela pintura, a tal chamada de O Próximo Rembrandt, fiquei surpreso, pois ela evoca emoções, eu senti compaixão pela pessoa retratada e, depois, confusão. Computadores não deveriam ter essa capacidade, né?

 

E agora, neste mês, um curta estreou no Vimeo, no qual atores virtuais, inspirados em personagens de ópera chinesa, atuavam.

 

Então, se computadores estão tomando o nosso lugar na literatura, artes visuais e cênicas, não seríamos como operários em 1999, empregados por uma fábrica de máquinas de escrever?

Se somos, não existe outra opção a não ser celebrar. Celebrar o fato de que somos parte de uma espécie em extinção. Exemplares de uma geração quase extinta.

E é isso que eu espero fazer no Rio.

Eu tive a sorte de formar uma dupla com o talentoso Patrick Pessoa. Nossa intenção é trabalhar como se não houvesse amanhã, olhar pra cidade como se fosse desaparecer no dia seguinte.

. . .

By Jörgen Tjon A Fong |

2016 marks the year that a novel written by a computer through artificial intelligence was qualified for a literary prize. It also marked the year where a computer in Amsterdam created a new work in Rembrandt’s tradition, after analyzing all the paintings made by Rembrandt. When I stood eye in eye with that painting, the so-called Next Rembrandt, I was surprised because the painting evoked emotion, I felt compassion for the person portrayed, and afterwards confusion. Computers aren’t supposed to do that, right?

 

And just this month a short film has premiered on Vimeo where virtual actors inspired by characters of the Chinese Opera performed.

 

So if computers are taking over from us in the fields of literature, visual arts and performing art, aren’t we just like factory workers in 1999 employed by type machine manufacturer?

If we are, there is no other option than to celebrate. Celebrate the fact that we are part of a dying breed. Exponents of an almost extinct generation.

And that’s what I hope to do in Rio.

I was fortunate enough to be paired with the talented Patrick Pessoa. We intent to make work like there is no tomorrow, to look at the city like its going to disappear after today.


Jörgen Tjon A Fong é o representante da Holanda na área de teatro doc da HOBRA | Jörgen Tjon A Fong is the Dutch delegate in the area of doc theatre for HOBRA

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