O som, a palavra, a imagem (e o que mais houver no meio disso) | The sound, the word, the image (and whatever else there is in the middle of this all)

Da exploração dos sons emitidos pelo corpo humano à ocupação visual de espaços públicos na cidade. Da composição mestiça no DNA do carioca à inspiração de flanar pelo Rio com alma de viajante. No terceiro dia de atividades da HOBRA, as dez duplas residentes reuniram-se na tarde ensolarada desta quarta (13 de julho), no Museu de Arte do Rio (MAR), para ouvir os representantes de cinema, música, novas mídias e literatura, que encerraram o ciclo de apresentações revelando suas expectativas de trabalho, convívio e criação durante o projeto.

Se o inglês é a língua franca usada por artistas brasileiros e holandeses, a comunicação no terceiro dia começou por meio do ruído em estado bruto. Com curadoria de Chico Dub (no centro da foto no alto), a dupla de música formada pela holandesa Emma Rekers e pelo brasileiro Floriano Romano (à direita na mesma foto) propôs aos colegas uma performance coletiva e imersiva com foco no potencial sonoro do corpo humano. Os artistas da HOBRA foram convidados a formar uma roda e cochichar seu “som secreto” no ouvido do colega ao lado; em seguida, todos foram incentivados a circular pela sala emitindo ruídos de improviso, ora harmônicos, ora dissonantes. A intenção do experimento, esclareceu Emma, era demonstrar o lado íntimo e muitas vezes não revelado dos sons produzidos pelo corpo.

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Daan Gielis

Em seguida, foi a vez da dupla de cinema, integrada pela holandesa Daan Gielis e o brasileiro Wagner Novais, com curadoria de Ailton Franco Jr. Daan definiu-se como uma “contadora de histórias”, interessada em desvelar o lado sombrio do comportamento humano, e apresentou Gamechanger, filme escrito por ela ainda em pós-produção (e que aborda o estresse pó-traumático de um veterano de guerra). Wagner abordou também a ideia do horror, a partir do que chamou de “holocausto velado” da juventude negra do Brasil, falou sobre seu trabalho em comunidades da periferia do Rio de Janeiro e apresentou um trechinho de seu filme Tempo de Criança.

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Júlio Parente e/and Thomas Kuijpers

Após um intervalo para o café, os dois representantes de novas mídias – Júlio Parente e Thomas Kuijpers, com curadoria de Batman Zavareze, do festival Multiplicidade – apresentaram suas obras. O brasileiro definiu-se como artista digital e exibiu trabalhos de ocupação visual que tem realizado em espaços públicos do Rio – num deles, Cascata, Parente projetou cachoeiras virtuais que escorriam pela fachada de prédios da Praça Mauá, onde fica o MAR. Kuijpers falou um pouco de sua produção de viés político, com projetos como Gesture, uma análise sobre a linguagem corporal dos apertos de mãos de líderes como Barack Obama e Vladimir Putin.

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Jan Cleijne e/and Isabel Diegues

Já anoitecia quando a curadora Isabel Diegues, editora da Cobogó, apresentou os dois representantes de literatura: o poeta Lucas Viriato e o quadrinista Jan Cleijne, que prometeram realizar um casamento entre texto e ilustração. Editor do jornal literário Plástico Bolha, o carioca Lucas revelou sua admiração pelos livros de viagem e disse pretender, no decorrer da HOBRA, “ver a minha cidade com os olhos de um turista”. Jan encerrou o dia exibindo belas imagens de suas páginas de quadrinhos, como Legends of the Tour, em que retrata a história do Tour de France, a mais tradicional prova de ciclismo do planeta.

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From the exploration of sounds let out by the human body to the visual occupation of public spaces in the city. From the crossbred DNA of the Rio de Janeiro native to the inspiration of strolling through the city with the soul of a traveller. In the third day of HOBRA’s activities, the ten resident duos got together in this sunny Wednesday (13th) afternoon at the Museu de Arte do Rio (MAR) to listen the delegates from the fields of film, music, new media and literature, who finished the cycle of presentations revealing their expectations over their work, being together and creating during the project.

If English is the lingua franca used by the Brazilian and Dutch artists, the communication in the third day started through a noise in brute state. With the curatorship of Chico Dub (in the center of the photo, at the top), the music duo made up by Dutch Emma Rekers and Brazilian Floriano Romano (on the right, at the same picture) proposed to their colleagues a collective and immersive performance with a focus on the sound potential of the human body. The HOBRA’s artists were invited to form a circle and whisper their “secret sound” into their colleague standing right next to them; right afterwards, everyone was encouraged to walk around the room letting out noises out of improvisation, sometimes harmonical, other times dissonant. The intention behind this experiment, as Emma clarified, was to show the intimate side and often not revealed sounds produced by the body.

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Daan Gielis

After that, it was the time for the duo from film, made up by Dutch Daan Gielis and Brazilian Wagner Novais, with the curatorship of Ailton Franco Jr. Daan defined herself as a “storyteller”, interested in unveiling the somber side of human behaviour, and presented Gamechanger, a film written by her, still in post-production (which is about the post-traumatic stress of a war veteran). Wagner talked about the idear of horror, from what he called “veiled holocaust” of black youth in Brazil, talked about his work in poorer communities of Rio de Janeiro and presented a small excerpt from his film Tempo de Criança.

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Júlio Parente e/and Thomas Kuijpers

After a coffee break, both delegates for new media – Júlio Parente and Thomas Kuijpers, under the curatorship of Batman Zavareze, from Multiplicidade festival – introduced their works. The Brazilian defined himself as a digital artist and showed works of visual occupation that he has been done in public spaces of Rio – in one of them, Cascata, Parente projected virtual waterfalls that dripped down the façade of buildings at Praça Mauá, where is located the museum MAR.

Kuijpers talked a little bit about his production with a political gore, with projects like Gesture, an analysis about the body language of handshakes of leaders like Barack Obama and Vladimir Putin.

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Jan Cleijne e/and Isabel Diegues

It was already getting dark when curator Isabel Diegues, Cobogó’s editor, introduced the two delegates for literature: poet Lucar Viriato and cartoonist Jan Cleijne, who promised to make a wedding between text and illustration. Editor of the literary journal Plástico Bolha, Rio de Janeiro native Lucas talked about his admiration for travel books and said he intends, during his works at HOBRA, “see my city with the eyes of a tourist”. Jan finished the day’s introductions showing beautiful images of his drawings, like Legends of the Tour, in which he portrays the history of Tour de France, the most traditiinal cycling race in the planet.

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